Mostrando postagens com marcador Poemas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Poemas. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

O Blefe

O Blefe
Por Alexandre Nicoletti Hedlund

As cartas jogadas na mesa
os olhos afoitos no ar 
e o destino? como confrontá-lo
na certeza incerta da cartada final

o verde veludo atestava a fraqueza
nada se podia, infelizmente, mudar
tantos sonhos jogados no ralo
agora só lhe faziam mal

 virou carta após carta
umas de valor, outras não
pouco a se considerar de quem errou

que vida ingrata!
não admite agora o perdão
daquele que, por tanto tempo, blefou.



domingo, 13 de fevereiro de 2011

Uma rua chamada desilusão


Uma rua chamada desilusão
Por Alexandre Nicoletti Hedlund

Não era outono ou a estação do amor
E o dia não tinha nada de especial
Sequer havia o pôr do sol dos amantes
ou a garoa fina dos que sentem saudade

mas aos poucos foi crescendo uma dor
e o instante se fez vendaval
distorcendo o sorriso dos passantes
levando cada pedaço de felicidade

entre seus dedos o pobre homem tentava segurar
o que apenas a ele debaixo do sol cabia
com todas as forças que ainda lhe restavam
defendia seu precioso coração

mas certos caminhos da vida não se podem evitar
e o tolo homem já não sabia
mas seus passos na escuridão lhe conduziram
para uma rua chamada desilusão

e então se notou sem rumo, perdido
e nada lhe parecia familiar ao redor,
seu corpo se arrastava pela rua sem fim
rompendo o silêncio com seus sapatos

e mergulhando naquela rua, desiludido
sentia-se estranho em olhos cheios de torpor
na boca o gosto amargo da traição carmim
sentia-se mais sujo que os ratos

recostou-se num banco qualquer
que aquela cinza tarde agora lhe ofertava
e notou ao seu lado uma rosa despedaçada
poética pintura abstrata na paisagem

distante viu uma moça com traços de mulher,
em um sorriso assim ela o convidava
na alcova de seu peito fazer morada
e tolo, ele creu naquela miragem

e o pobre homem assim continuava
mirando nas vitrines suas fraquezas
sem entender os erros do passado
sem entender como as coisas são e para onde vão

e a rua, assim como a vida, logo ali acabava
e agarrando-se novamente as poucas certezas
da paixão que agora haviam lhe arrancado
procurou dobrar a esquina, dessa rua desilusão.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Acalento ao coração

Acalento ao Coração
Por Alexandre Nicoletti Hedlund 

Ao abrir a porta da rua
veio-lhe de imediato a imagem
a certeza do silêncio da noite
e a chuva que ensaiava cair

e talvez pela ausência da lua
talvez pela solidão da paisagem
tudo lhe ecoou como um açoite
que ele teimava em sentir

as pernas lhe pesavam ao subir
multiplicando as escadas na escuridão
e não lhe permitiam chegar
na sala onde os quadros lhe alertaram

o que pretendes ouvir?
nesse espaço repleto de solidão
não há ninguém a lhe esperar
somente lembranças que restaram...

Então lhe foi necessário abandonar
as coisas em um canto qualquer
e a se olhar no espelho e enfrentar
pois precisava novamente viver

e tentou ser corajoso e lutar
contra a essência do perfume da mulher
que enfeitiçava por completo o lugar
e que jamais lhe permitiria esquecer

Recostou-se na parede tão fria
sem poder evitar a tristeza
que lhe trazia agora a lembrança
que lhe fazia agora chorar

e naquela cena triste e vazia
pôde então sentir a leveza
como um sopro de esperança
lhe fez assim suspirar

e ainda que estivesse sozinho,
por mais que escapasse à razão
sentiu o tempo parar um momento
lhe era concedido sonhar,

com a delicadeza sutil de um carinho
arrebatando-lhe o coração
na ternura do gesto, acalento 
daquela que prometera amar.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

sobre o tempo...

Poeminha de improviso, inspiração porém sem talento
sem muito labor ou suor, me conduzo apenas por lamentos
quem sabe em outra vida, eu receba o dom que outros tem
em um pacote bem feitinho, e possa do meu jeito, ser poeta também.


Sobre o tempo...
Por Alexandre Nicoletti Hedlund

Esses dias me peguei pensando
nas coisas que o tempo cura
e naquelas que ele insiste em manter
presas de algum jeito

E conforme o tempo ia passando
a mente refletindo muda
somente senti a força de sofrer
pondo estacas no peito

e o tempo sábio por si
no silêncio insistiu na dor
de um sofrimento sem alarde

por isso, aprende e cuida de ti
conserva o que te tem valor
antes que a tudo seja tarde.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

O Presente

O Presente
por Alexandre Nicoletti Hedlund
Que presente é esse que tu gastas com tolices
que se reduz a esperar o futuro
que se corrói em viver do passado?

Que presente é esse que passa em silêncio
enquanto te preocupas com coisas que não se resolvem
sem que tu resolvas mudar o ponto de perspectiva?

Eu lhes digo, meus caros, é um presente pequeno...
é algo para ser trocado na grande loja da existência...
e é pequeno no sentido do menosprezo
do pouco valor que lhe agrega na vida

Por isso, reveja, antes de sair da loja
qual presente pretende carregar contigo
dê valor as pessoas e respeite-as
caridosamente, humanamente

Alguém disse que somos a imagem
de um ser superior, e fizeram-nos crer nisso
Creio que somos mais que imagem
somos o som, o olhar, os gestos

ousadia? desaforo?
Não, de forma alguma...

Acho que temos poder e força para ser igual ao Pai celestial
quando fazemos o bem para as pessoas, nos conectamos com essa força superior
Nessa situação, somos imagem e semelhança
do contrário, somos apenas pó, cinza, e nada mais...

Por isso, reveja, antes de sair da loja
se escolhestes com sabedoria o presente
pois o futuro não te pertence, o passado já não lhe está nas mãos
tens apenas o presente, dádiva incomensurável
desde que saiba aproveitá-lo e transformá-lo

Aceita o presente, presente nesse devaneio,
pois lhe ofereço apenas a dúvida...
as certezas encontrarás em teu coração.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Que dia para um suicídio!

Que dia para um suicídio!
Por Alexandre Nicoletti Hedlund

Conforme o tempo passava, ao longo da noite
Chegou à constatação mais verdadeira
Que um poeta pode sentir
Pois, tendo secado seu pranto, sua dor
Resolveu-se, por certo, morrer

Mas como só se morre uma vez
É necessário se fazer tudo perfeitamente
Detalhe a detalhe cuidar
Sob pena de, assim não agindo,
Morrer de vergonha depois

Decidiu-se ao triste fim chegar
olhando carinhosamente seus erros
suas falhas, brigas e poucos acertos
e assim relutou em dormir
para contemplar o esplendor do céu

e adormeceu rendido pelo sono
que também quis lhe visitar
nessa última noite para se sonhar
mesmo que não dormisse muito, confessa
pois queria, o último dia, aproveitar

E que belo dia para ser o último!
Pensou consigo,
Um dia de amanhecer cinza
Mas que se enche de azul logo tão cedo
E merece ser vivido

E fez questão de caminhar pela manhã
Apenas para esticar um pouco as pernas

Depois, ligou para alguns bons amigos
Sem nada lhes dizer sobre o futuro
Mas falando carinhosamente a cada um
 de lembranças em comum
do respeito à amizade

Depois ligou para sua mãe, para seu pai
Ao seu irmão deixou para mais tarde
Mas faria questão de falar com todos
Pelo menos um pouquinho
para guardar consigo a voz de cada um

na hora do almoço, preferiu ir à igreja
aproveitar um pouco daquela serenidade
que incrivelmente
só se encontra lá,
não importa o credo.

Porém, temeu, que ao chegar ao céu
Já tivesse perdido a hora da refeição
E, por isso, preferiu ir a um bom restaurante
Onde teve certa dificuldade em escolher o que por no prato
Afinal, morreria sem nunca ter comido “arroz chinês”?

E, após a refeição feita em silêncio
Na qual pode contemplar transeuntes
Rostos e rostos que por ele passaram
Viu uma menina beijar o rosto do pai
E sentiu que ali havia amor

Saindo dali, resolveu-se a ir para casa
E autorizado por si mesmo
Optou em dormir um pouquinho
Coisa mais boa, poder dormir depois do almoço!
Que dia!

Leu um pouco, refletiu sobre a vida
Trabalhou em algumas coisas suas
Desistiu de outras que não queria mais carregar
Tomou uma dose de seu whiskey preferido
E se sentiu bem, por aproveitar tão bem seu dia

E quando entardeceu, tomou um banho
Saiu caminhar e pode ver o sol se pôr
Depois foi conversar com algumas pessoas
Onde encontrou em gestos simples
A compaixão de querer bem, por simples querer

Por último, dirigiu-se ao seu templo secular
Onde queria se despedir da vida boêmia
E lá, cercado de uma festa inusitada
Em que só se poderia celebrar a vida
E dar risada da morte

Ele finalmente percebeu
A maravilhosa dádiva que foi
Escolher o próprio dia para morrer
E que realmente havia aproveitado tanto
Tantas coisas que lhe faziam bem

Que dia para um suicídio!
pensou embriagado de alegria
e diante de tantas coisas boas
feitas a partir das escolhas do dia
é que decidiu, simplesmente

fechou os olhos, e com os braços abertos
diante da janela entreaberta
sentiu o vento lhe abraçar
e pode agradece em silêncio
Obrigado Deus!

E foi então que percebeu o presente divino
que se constitui em uma coisa tão singela
O poder de escolher os caminhos
Que fizeram de seu dia amargurado
Um belíssimo dia de recomeço

Cheio de vida!  - pensou consigo
E isso, fez toda diferença...
pois aproveitou cada instante
de cada dia, com cada pessoa
e apenas com coisas que lhe encheram de vida plena


e a morte? e o suicídio?
acalme-se, meu caro...
suicídio é a dúvida, trate de saná-la
morte? morre apenas quem não vive
jamais um transeunte indelével.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Das curiosas coisas da vida

Das curiosas coisas da vida
Por Alexandre Nicoletti Hedlund


Das curiosas coisas da vida
que eu já pude observar
uma das mais curiosas
é a capacidade humana
do improvável

Das curiosas coisas da vida
que eu só pude lamentar
uma das mais reprováveis
é a capacidade humana
do previsível

Esse ser humano
me prova a cada dia 
sua desnecessidade 
de tantas coisas necessárias

Esse ser humano
me testa a cada dia
demonstrando interesses
que não vão além da superfície

Das curiosas coisas da vida
está a caça superficial
deixando os grandes tesouros da alma
para um outro dia, para um porvir

Esse ser humano
me espanta a cada dia 
na sua arte do previsível
e mesmo assim
eu ainda acredito no humano

Curioso que não busque 
muito além do alcance da mão
cansando-se com pouco
perde a beleza do muito
mas 
perder e achar que está ganhando
é, talvez, o mais curioso
das curiosas coisas da vida

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

A amizade do Rock


Tema de casa do meu amado filho, feito de improviso pela webcam em uma conversa sobre a amizade. A distância não nos impede que possamos criar, conversar e manter o espírito unido. Amo você meu filho, hoje e sempre.

A amizade do Rock
Por Alexandre Nicoletti Hedlund e Bernardo Bueno Hedlund

Pensei no que é ser amigo
e se existe uma explicação
para caber tanta amizade
dentro do meu coração

quando cheguei por aqui
escrevi meu nome num papel
eu estava voltando para Ijuí
e conheci o Rafael

construi minhas amizades
sem muita propaganda
e ai apareceu o Gustavo
querendo montar uma banda

o Gus quer a bateria
o Rafael diz que vai cantar
eu vou ser solo de guitarra
e outros amigos também vão tocar

queremos gravar nossas músicas
não vai sobrar cd no estoque
essa banda vai ser um sucesso
pois a gente só vai tocar rock

sábado, 23 de outubro de 2010

Sobre o vento

Sobre o vento
Por Alexandre Nicoletti Hedlund
22 de outubro de 2010

Em silenciosas noites
De tantas chegadas e partidas
De tantos copos vazios
De tangos que não se pode bailar

Uma luz rompeu a escuridão
Por entre as frestas esquecidas
Que resignadas consentiam
Que o vento pudesse passar

E ele, sabedor de tantas coisas
Que somente cabe ao vento conhecer
Infiltrou-se nessa câmara escura
Sem deixar-se fotografar

E numa dança enamorada
Seduziu as cortinas não-brancas
Pela poeira de tantos milênios
Verdadeira poeira estrelar

Ao longe, conversas se ouviam
Risos, passos, coisas assim
Então uma porta logo se abriu
Deixaram o vento escapar

E o vento logo se foi
Pois é livre sem nada temer
Pudesse ser como o vento!
e em cálidas noites voar.

E, espanta-me que tu não entendas
A eterna inconstância do vento
Não macule a sua essência
Não queira o vento mudar.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

A boca do fogão

A boca do fogão
Por Alexandre Nicoletti Hedlund

Acendeu-se a boca do fogão
E era maior do que chaleira
Fez-me pensar se no inferno
Haveria semelhante caldeira

Com comidas, garfos e pratos
A mesa tão bem disposta
Já não guardava espaço
Para alimentar nossas respostas

Assim se assinalou o porvir
Do cheiro tão forte do café
Do bater de colheres nas xícaras
Na esperança de se ter quem se quer.

Na agonia serena do pão
Que estalava sem muito esfarelar
Sentados frente a frente na mesa
Tivemos a sensação de tudo mudar.

E a boca do fogão não parava
De tudo e a todos aquecer
Mesmo que o coração esfriasse
Naquele escuro e silencioso entardecer

Depositou duas pedras de açúcar
Que afundaram no negro sabor
e a cada sorver envolto à fumaça
no peito reafirmava uma dor

Memórias tão tristes, esquecidas
em tantas histórias inventadas
dando um gosto amargo à vida
tal o suco de laranjas cansadas.

E o amargo café já esfriava
Sem nos permitir muito mais que ilusão
Pois nem o tempo silencia o calor da chama
Que a tudo observa, na boca do fogão.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Nostalgie I

Nostalgie I
Por Alexandre Nicoletti Hedlund

Hoje senti saudade das coisas
que já estão ficando antigas como eu
registradas em outras matizes, já envelhecidas
em velhas máquinas fotográficas
de um tempo em que
até meus amigos eram jovens

Hoje sentido saudade das coisas 
que talvez nem tenha vivido
mas que ainda estão tão frescas, tão vívidas
palpáveis em meus pensamentos
feito um algodão-doce
que teima em grudar nos dedos

Hoje senti saudades de tudo
Tudo, mas tudo mesmo...
de minha infância distante
que nessa hipérbole desvairada da vida
parece fugir de mim,
como que com medo da escuridão

Hoje senti saudades de coisas
que me acompanham por onde for
pois as trago comigo no peito
que, hoje, apesar de ferido, calejado
ainda persiste em guardar
fragmentos de felicidade.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Indiscreto Olhar

Indiscreto Olhar
Por Alexandre Nicoletti Hedlund

Absorto em meus devaneios, 
por um instante tudo parei
e através da janela fitei
tal qual constelação
um céu de tantas janelas,
a brilhar em tantos edifícios.

E como no céu que a todos protege
algumas dessas estrelas
piscavam tão radiantes
as novidades em tantas telas
 enquanto outras menos brilhantes
nada no céu podiam mostrar

E na curiosidade própria de quem
por egoísmo puro, pretende relatar
tudo que se passa nessa vida mundana
por um instante, e, juro, nada mais
pensei comigo
o que faziam os moradores distantes 
dessas janelas-estrelas?

lamentavam quem se foi?
amavam alguém que ficou?
dançavam belles chansons?
sorriam tristezas, choravam alegrias?
viviam canções ou cantavam a vida?
em tons menos claros que lançam nesse céu...

 oh, brilhante céu estrelado!
me perco em tuas luzes
distraindo-me em um indiscreto olhar
que lancei sem querer
sem sequer perceber
que agora também sou
uma estrela a brilhar

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Tema de casa

Tema de casa do Be para o Colégio Sagrado Coração de Jesus:
fazer um poema de 4 estrofes de 4 versos cada sobre o dia da pátria.

Por Bernardo Bueno Hedlund & Alexandre Nicoletti Hedlund

Desde pequeno eu me lembro
de uma data para comemorar
foi no dia sete de setembro
que eu fui na praça desfilar

O sol brilhava tão forte
que mal se conseguia olhar
a banda da escola tocava
e todo mundo sabia marchar

eu já estava sem paciência
pois muito cedo tive que acordar
para o desfile da independência
que as nove ia começar

nossa pátria tão amada
hoje é uma grande nação
que foi homenageada
pelo sagrado coração

O Cortejo

O Cortejo
Por Alexandre Nicoletti Hedlund

Enquanto o cortejo passava
ao fundo se ouvia Verdi
na marcha incessante de Macbeth
lutando contra a vil matilha
de perversos traidores seus

Enquanto o cortejo avançava
ao fundo se ouvia uma criança chorando
os aborrecimentos por ser criança
mas a mãe não lhe podia consolar
pois estava vibrante com o cortejo

 Enquanto o cortejo cantava
a multidão se entorpecia pelo insano marchar
e a cada passo adiante se fazia ouvir
de lado a lado dos prédios tão altos
que ecoavam ao longe, oh grande cortejo!

 Enquanto o cortejo dançava
com seus braços um mar infinito de mãos
a jovem senhora do outro lado da rua parou
recostando-se na parede de uma boutique
onde nunca pudera entrar, por temer os olhos dos outros

Enquanto o cortejo anunciava
o motivo de tanta alegria
a multidão que hoje ali estava
apenas seguia o cortejo
honrada por tudo ignorar

Enquanto o cortejo se arrastava
percebi um moço tão triste, cabisbaixo até
em sua roupa humilde, já suja e levemente rasgada
estampava-se aquilo que o cortejo 
por ser alegria e festa, preferiu ignorar

Enquanto o cortejo gargalhava
eu vi tal pobre moço chorar,
segurando sua vassoura na mão
aguardava o cortejo encerrar
para que assim pudesse limpar o lugar

E quando o cortejo cansar
dessa festa incontida que a todos só sabe chamar
os que hoje choram em silêncio
esquecidos nos cantos da rua
serão mais de mil guerreiros
todos sempre a desfilar

Mas até lá, aproveite o cortejo
que a todos só sabe encantar
pois não há fome, nem tragédia
não há tristeza ou imoralidade
não há crueldade que perdure
enquanto o cortejo passar.

sábado, 4 de setembro de 2010

o significado das coisas que talvez não signifiquem nada: transitando com Woody Allen

Por Alexandre Nicoletti Hedlund

 Uma conversa, a partir das leituras do blog....

- Você escreve muito bem!
- imagina, minha letra é horrível!


Fez-me lembrar de uma frase do Woody Allen, que, segundo ele, resume sua compreensão sobre os relacionamentos adultos.

- Que sopa horrível!
- exato, servem em porções tão pequenas! 

E assim, transito com Woody Allen...

Na completude fragmentada do tempo

Na completude fragmentada do tempo
por Alexandre Nicoletti Hedlund


Há tanto tempo presente em meus pensamentos de agora
olhando pelo vidro não pouco sujo da janela
mas que ainda permite à luz já acinzentada
de um sol que já também cansou de aqui estar
penetrar sobre os móveis tão frios desse quarto.

Há tanto tempo perdido, com coisas que não tiveram sentido
para as quais não houve respostas
para as quais não haverá tempo talvez
mas que se permitem apenas existir
em cada olhar que se lança sobre a rua.

Há tanto tempo futuro que se distancia, como querendo fugir
e, embora a ausência seja a constante no lugar
ainda permite uma certa alegria, disfarçada e tão singela
que não acarreta mais que uma falsa sensação
do pretendido bem-estar, do bem-querer, a "quem-amar"

Há tanto tempo para tantas coisas
projetadas - na parede composta de quadros - pela luz do sol
não significando com isso mais do que sombras
que atravessam e contemplam a escassa chuva
que chega vinda de outros "tempos-lugares"
na completude fragmentada do tempo.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Amigo em Berlim - Homenagem ao Maquininha

por Alexandre Nicoletti Hedlund


Oh meu amigo Maquininha

fala para mim

Como está a tua vida

pras bandas de Berlim



Fui na confra essa semana

e até lembrei de ti

tomei uma caracu

papeando com o Di



Sentimos sua falta,

oh grande camarada

mas sabemos do sentido

de sua mais nova jornada



Maquininha me despeço

pois preciso trabalhar

e assim juntar uma grana 

para poder te visitar



beberemos várias cevas

com as germânicas do lugar

e quem sabe ali fundaremos

o nosso próprio bar



Vou levar mais alguns amigos

para com a gente comemorar

o Edinho já confirmou

o China vai confirmar



Me despeço Maquininha

fique tranquilo por ai

uma hora aparecemos

e levamos junto o Di

segunda-feira, 5 de julho de 2010

dias de chegada e dias de partida

Dias de Chegada e Dias de Partida
por Alexandre Nicoletti Hedlund

Há dias de partida
e Há dias de chegada
e nesse vai e vem dos dias
eu vou vivendo

por vezes solitário
transeunte
traduzindo em palavras
a fonte das fontes

e no fim das contas
o que quer dizer tudo?
são devaneios
apenas devaneios
de pensamentos 
que se atravessam
trazendo saudades
trazendo lembranças
sempre o passado
e nunca o presente

Eis que é hora de mudar, não acha transeunte?
Olhar o horizonte 
e ver mais 
que o confronto de céu e montanhas
mais do que as músicas
tristes por serem tristes
e do que os poemas
tristes por serem meus 
podem dizer...

quinta-feira, 1 de julho de 2010

O Poeta sem sua musa

O Poeta sem sua musa
por Alexandre Nicoletti Hedlund

O Poeta sem sua musa
é moldura sem retrato
inverno sem nossas cobertas
é comidinha sem sal

O Poeta sem sua musa
por vezes se torna chato
é um castelo sem janelas
é o tom irracional

Quão triste sou eu
pretensioso em ser poeta
sem carregar em meus pensamentos
a delicada imagem mais singela 

Quão triste é a vida
pretensiosa em ser vivida
na plenitude de suas formas
em que encontro a imagem dela

Oh musa inspiradora!
tua existência é condição
que aos meus dias traz calor
que me afasta a tristeza
pois sou errante da madrugada
que busca em ti inspiração
 pois teu sorriso é o sabor 
que traduz toda beleza.


O Poeta sem sua musa
perece nas noites de inverno
se queima no sol do verão
pois se torna, aos poucos,
um revoltado, insensível
a bravejar sua solidão

Por isso, eu suplico a vós
Oh musa de meu coração!
permita-me mais um poema
aceita uma simples canção
pois eu, sem a tua presença
não sou sentimento,
sou simples razão.

terça-feira, 29 de junho de 2010

O Sorriso

O Sorriso
por Alexandre Nicoletti Hedlund  

O sorriso que me lanças
muitas vezes sem querer
me faz um bem à alma,
mesmo sem aparente explicação
pois, ao sorrir assim, oh moça!
meio sem jeito ou modo algum
me apresenta tua doce alma
e encanta meu coração

E com o sorriso que me acenas
na distância que nos separa
talvez não imagines, mas crias
muito mais que uma morada
meu exílio, meu refúgio
faz-se abrigo em teu peito
no qual passo a ser o visitante
pretensioso em poder amá-la

oh tu, moça e teu sorriso
jardim de rosas molhadas de orvalho
guardiã de meus secretos sonhos 
rouba-me constantemente a atenção
retira de mim as palavras
traz confusão aos sentidos
devotos únicos de ti
escravo que sou de teu coração